Era uma vez um marinheiro que tinha três barcos atracados numa marina. Ele ia de vez em quando ao mar viajar.
Ele gostava muito do mar. Aquelas ondas a balançar o barco faziam com que ele desequilibrasse os problemas, que se estendsiam por um planos mais infinito. Tocava no céu o fundo do olho do marinheiro enquanto navegava num oceano lindo, onde se cruzava com baleias, golfinhos, e lá no fundo imaginava estrelas do Mar, que habitavam num crepúsculo que ainda esperava ouvir histórias de poetas e cavaleiros da Idade Média -- histórias de gente nobre que carregava o peso do mundo como quem balança uma espada ou uma lança em desafio ao infinito.
Parava de pensar nisso e olhava em seu redor. O café com açúcar dava sabor à tarde que caía em cima dos ombros da cidade.
Já fazia muito tempo que não visitava os amigos do outro lado do estreito.
Havia muitas chamadas trocadas, muitas mensagens passadas de uma esperança a outra, como se tivessem de preparar uma viagem com uma ponte invisível, antes.
E então atravessou o olhar pela rua que se estendia até um fundo distante, onde sons inimagináveis se trocavam. Os raios do Sol mais meiguinho do dia não faziam imaginar a mais bela história que era a vida do marinheiro.
Ele lembrava-se agora do bosque sagrado, onde aprendera a amar os animais com uma simplicidade quase partilhada com a magia que o envolvia.
Acendeu um cigarro e uma lágrima cristalizou no interior da fluidez do silêncio.
Havia tantos autocarros na cidade e tanta gente espalhava e distribuía a sua vida pela cidade.
Era impossível haver mais humanidade do que aquela que espelhou o olhar do marinheiro pelo abstracto da cidade.
Pegou na mala, carteira, telemóvel, chaves e no livro de bolso que o acompanhava e foi comprar ao supermercado os mantimentos que necessitava para a sua viagem.
Cerveja, cigarros, pão, queijo, leite, fiambre. Talvez do outro lado manjasse umas amêijoas, já dentro dum esplendoros momento em que saborearia, em bons goles de vinho, a brilhante amizade que seus amigos proporcionavam.
Reluziu a barba por detrás da estrela Vénus e partiu para o outro lado do estreito.
Avistou a baía de Guantanamo. Esta vilazinha, perdida no meio das brumas da Suazilândia, era uma rica vila.
Tinha gente de todos os tipos, menos os maus.
Era uma elegia partidas por milhões de reflexos que pairavam no ar.
Havia jogo hoje na cidade, por isso ele sabia onde podia encontrar os amigos.
Metade estariam lá em baixo, no campo de futebol, a jogar pelo Jamaican Morning Sun, e a outra metade estaria naquela bancada, conversando sobre o belo dia que abençoara suas vidas.
Atracou o barco e saiu rua acima. Cumprimentou o Sr. Estevão, que à porta da tasca diletava-se com uma ópera que vinha de dentro da casa do vizinho do primeiro andar, para a rua, que transformava.
Saltou um gato no seu caminho, escondendo-se por detrás de um beco subtil.
Cerca de cem pessoas presenciavam a partida, que estava ainda a meio da primeira parte.
Cumprimentou metade dos amigos e sentou-se a observar o jogo, absorto por uma emoção tremelicante que conferia mais autenticidade ao jogo.
A bola cruzou dum lado para o outro do campo, amortecida e colocada ao rolanço do relvado, soltada de repente para o lado esquerdo, onde apareceu, cruzou e espalhou magia o ponta esquerda.
A bola atravessou em dois segundos metade da largura do campo e num pontapé acrobático foi ter ao fundo das redes e ali ficou, extasiado numa celebração que aproximava o perto, esquecia o longe.
Um respirar arfante invadiu a torcida e o marinheiro acendeu o cigarro.
Milhões de cores brilhavam na noite, soltadas por sorrisos, olhares, abraços e tudo o mais que aconteceu.
Ao final da noite, já mais abraçados e tranquilizados pelo vinho tinto, os amigos lembraram o golo com um sorriso único encarnado.
--5-1! Bom resultado pá!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
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